Se ao menos eu soubesse o outro lado, o caminho de que todos fogem e que tanto anseio, se eu soubesse, por um dia, a paz da inexistência, onde os passos que transpiro seriam nada mais do que passado.
A vida não me apetece, nem outro dia igual neste sítio onde ninguém vê a sombra com que desfilo a cada momento - nem tu, ainda que me passeie com a minha mágoa diante dos teus olhos todo o tempo.
Como é ténue a diferença, a linha que te separa da calma que há tanto espero, como cansa a luta que já não travo em nome da minha esperança aguda. Como queria que a noite caísse mais uma vez, de vez. Já não sei ficar aqui, os fragmentos que antes foram eu já só me afogam o sorriso, tira-me deste sítio onde chove o tempo todo e onde já não tenho espaço para ficar, não há ninguém que me apresse o tempo?, nem tu, nem mesmo tu alguma vez creste a solidez das minhas palavras - não vias que me saíam do peito??
A vida não me apetece, antes morrer nos teus braços esta noite, outra vez...
26.12.04
23.12.04
Sarcasmo
- Sabes, encontrei-te no outro dia num sonho meu!
- A sério? E que andava eu por lá a fazer?
- Nada... o mesmo de sempre...
- Hum!... E isso é?...
- Continuavas sarcástico como sempre.
- Ah! Há qualidades que não se perdem.
- Aliás, foste sarcástico como nunca tinhas sido...
- Não me digas? Ora, se eu fui sarcástico numa situação que a tua mente imaginou, e de uma forma como nunca antes, minha cara, e sem ser sarcástico, tu ganhas-me aos pontos...
- A sério? E que andava eu por lá a fazer?
- Nada... o mesmo de sempre...
- Hum!... E isso é?...
- Continuavas sarcástico como sempre.
- Ah! Há qualidades que não se perdem.
- Aliás, foste sarcástico como nunca tinhas sido...
- Não me digas? Ora, se eu fui sarcástico numa situação que a tua mente imaginou, e de uma forma como nunca antes, minha cara, e sem ser sarcástico, tu ganhas-me aos pontos...
22.12.04
Tenho o tempo perdido em qualquer dia de nós, saudade de uma noite que nunca vimos chegar; eu não sou tudo. Corro o céu pela mão que me estendes, sempre, mesmo na intempérie fugida que é a dor. Já não sei como te olhar, fantasma do grito que não alcança ninguém, sombra da pele que foi tua num toque, ser só não me preenche as metas que desenho a toda a hora; bastas tu.
Como queria um fim que me servisse, um adeus sem a palavra que me afoga a solidão, a noite, sem ti, já não é a mesma sombra e eu não sei como partir... Quem me dera, quem me dera a noite de vez e quem me dera não ser mais. Quem me dera um pouco de paz no peito que trago tão cansado.
("...E eu choro, baixinho, a cada sol posto.../ Como dói cada lágrima que me lava o rosto.../ Quem me dera que lavasse também a minha alma...")
O poema que me lês no olhar não passa de uma metáfora para a minha dor, não vês? Não vês que por dentro continuo à espera de uma paz qualquer que me embale as mágoas, que me sossegue o lamento, eu não sou ninguém sem os fragmentos que me correm a alma com toda a calma da destruição, as minhas lágrimas continuam a cair, por dentro, não vês? Não sei mais que mão agarrar, que abraço esperar que me embale se já nem a minha Lua me serve de caminho... quem me guia? Quem me leva para onde eu ainda voava, quem me apaga os dias que me enchem a dor?
Nem tu me usas como escudo de mim própria, nem eu sei mais dos sonhos que podia ser; já não te tenho como refúgio da tempestade que sou eu, não sei mais como te olhar se já não me carregas o rosto.
Então eu fico, "só, só como nunca me vi", vou amarrando ao pulso cada dia que nunca acaba, cada sol que não se põe, cada lágrima que me corre a face que ninguém vê e desespero, calmamente, por mais uma noite que me esconda os dias já em vão... de vez...
("...Solto um grito empastado/ Em tristes restos de clemência/ - Foi mais um dia passado/ No limite da inexistência...")
Como queria um fim que me servisse, um adeus sem a palavra que me afoga a solidão, a noite, sem ti, já não é a mesma sombra e eu não sei como partir... Quem me dera, quem me dera a noite de vez e quem me dera não ser mais. Quem me dera um pouco de paz no peito que trago tão cansado.
("...E eu choro, baixinho, a cada sol posto.../ Como dói cada lágrima que me lava o rosto.../ Quem me dera que lavasse também a minha alma...")
O poema que me lês no olhar não passa de uma metáfora para a minha dor, não vês? Não vês que por dentro continuo à espera de uma paz qualquer que me embale as mágoas, que me sossegue o lamento, eu não sou ninguém sem os fragmentos que me correm a alma com toda a calma da destruição, as minhas lágrimas continuam a cair, por dentro, não vês? Não sei mais que mão agarrar, que abraço esperar que me embale se já nem a minha Lua me serve de caminho... quem me guia? Quem me leva para onde eu ainda voava, quem me apaga os dias que me enchem a dor?
Nem tu me usas como escudo de mim própria, nem eu sei mais dos sonhos que podia ser; já não te tenho como refúgio da tempestade que sou eu, não sei mais como te olhar se já não me carregas o rosto.
Então eu fico, "só, só como nunca me vi", vou amarrando ao pulso cada dia que nunca acaba, cada sol que não se põe, cada lágrima que me corre a face que ninguém vê e desespero, calmamente, por mais uma noite que me esconda os dias já em vão... de vez...
("...Solto um grito empastado/ Em tristes restos de clemência/ - Foi mais um dia passado/ No limite da inexistência...")
13.12.04
Saudade...
Saudade é uma palavra muito bonita.
Lembro-me de me dizeres uma vez que só existia em Português,
que não havia palavra que a traduzisse noutra língua,
e que por causa disso era tão difícil se definir o que é a saudade.
Como é que se esquece alguém que se amou? Sim. Será isto possível?
Será possível viver a vida de uma forma diferente
e retirar da consciência uma porção significativa da juventude?
Claro que não. Eu ainda me lembro de ti, eu ainda sonho contigo,
coisa que nunca sonhava vir a acontecer quando te tinha comigo.
Nesses tempos só tinha pesadelos, só tinha medo de te perder. E perdi. Ironia?
Sim. Sonho contigo. Sonho o teu calor, sonho o teu corpo abraçando-me no escuro,
sinto-te a respirar sem fôlego ao pé de mim, a soprar-me de leve no pescoço...
vejo-te tão perto e no entanto tão longe... Isto é saudade.
Vejo-te triste na hora da partida, a chorar sentada no chão,
com a dor toldada no teu rosto de primavera,
com o orgulho a impedir o pranto,
com a esperança que o tempo parasse e que o passado fosse a eternidade...
"Como é que se esquece alguém que se ama?
Como é que se esquece alguém que nos faz falta
e que nos custa mais lembrar que viver?
Quando alguém se vai embora de repente
como é que se faz para ficar?
Quando alguém morre, quando alguém se separa
- como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm que morrer, os amores de acabar.
As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros,
os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece?
Devagar. É preciso esquecer devagar.
Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode-lhe ficar para sempre(...)"
Tenho saudades tuas, "totiça"...
*
The Crow
Lembro-me de me dizeres uma vez que só existia em Português,
que não havia palavra que a traduzisse noutra língua,
e que por causa disso era tão difícil se definir o que é a saudade.
Como é que se esquece alguém que se amou? Sim. Será isto possível?
Será possível viver a vida de uma forma diferente
e retirar da consciência uma porção significativa da juventude?
Claro que não. Eu ainda me lembro de ti, eu ainda sonho contigo,
coisa que nunca sonhava vir a acontecer quando te tinha comigo.
Nesses tempos só tinha pesadelos, só tinha medo de te perder. E perdi. Ironia?
Sim. Sonho contigo. Sonho o teu calor, sonho o teu corpo abraçando-me no escuro,
sinto-te a respirar sem fôlego ao pé de mim, a soprar-me de leve no pescoço...
vejo-te tão perto e no entanto tão longe... Isto é saudade.
Vejo-te triste na hora da partida, a chorar sentada no chão,
com a dor toldada no teu rosto de primavera,
com o orgulho a impedir o pranto,
com a esperança que o tempo parasse e que o passado fosse a eternidade...
"Como é que se esquece alguém que se ama?
Como é que se esquece alguém que nos faz falta
e que nos custa mais lembrar que viver?
Quando alguém se vai embora de repente
como é que se faz para ficar?
Quando alguém morre, quando alguém se separa
- como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm que morrer, os amores de acabar.
As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros,
os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece?
Devagar. É preciso esquecer devagar.
Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode-lhe ficar para sempre(...)"
Tenho saudades tuas, "totiça"...
*
The Crow
5.12.04
Ninguém ouve os silêncios que semeio sob o luar, aquele que me acolhe mas nunca o faz na verdade, ninguém me vê no olhar reflectido no meu rosto. Nem tu podes perceber a lentidão com que me apago, não há, decerto, ninguém que perceba a minha dor.
Solto a melodia que me acompanha alguns dos passos, os outros ficam para depois, ninguém tem pressa de conhecer o meu lamento, sabes que nunca gostei de ser tão igual a mim.
Solto outro grito, calado por tudo o que não sei se sou, como queria ser só, como queria sermos sós, quem me dera o fim da música que me ecoa nos ouvidos, todos os dias que nunca acabam até hoje dão cabo de mim e ninguém sabe, nem tu... não vês que já não sei voar, todos os sonhos caíram e os sorrisos morrem assim? Não vês que eu não desisto, mas que não tenho mais espaço para carregar a minha dor? Não vês que nos dias de chuva já não me serves de sol nem de abraço nas noites frias...?
Eu quero saber de que fazemos os sonhos para que durem assim, quero os dias como as noites em que te tornas o meu mar, só eu sei onde me perco sem que ninguém me acorde mais. Deixa-me ficar, dá-me os meus cinco minutos de paz e eu não te digo nada, nem do tempo que perdi quando ainda sabia voar; deixa-me ficar... mas fica comigo, não vês que só tenho (sempre) lugar para ti, és tudo o que não pode sair do meu peito, até já eu me perdi...?
E eu grito-te aos ouvidos sem que nunca me ouças, peço-te, o tempo todo, que não me deixes cair (não ouves?), eu sei que sou sempre eu mas eu já não sei ser sem ti, pega-me ao colo e ao silêncio que desfio sob o luar mesmo se não o ouvires, beija-me o olhar e seca-me as lágrimas com um toque, sopra para longe as palavras que me são tudo (não quero pensar), é um voo sem querer aquele que faz o meu lamento; tira-me daqui, um dia destes, volto a ser o que sempre quis, leva-me a voar de vez, ou apenas outra vez...
Solto a melodia que me acompanha alguns dos passos, os outros ficam para depois, ninguém tem pressa de conhecer o meu lamento, sabes que nunca gostei de ser tão igual a mim.
Solto outro grito, calado por tudo o que não sei se sou, como queria ser só, como queria sermos sós, quem me dera o fim da música que me ecoa nos ouvidos, todos os dias que nunca acabam até hoje dão cabo de mim e ninguém sabe, nem tu... não vês que já não sei voar, todos os sonhos caíram e os sorrisos morrem assim? Não vês que eu não desisto, mas que não tenho mais espaço para carregar a minha dor? Não vês que nos dias de chuva já não me serves de sol nem de abraço nas noites frias...?
Eu quero saber de que fazemos os sonhos para que durem assim, quero os dias como as noites em que te tornas o meu mar, só eu sei onde me perco sem que ninguém me acorde mais. Deixa-me ficar, dá-me os meus cinco minutos de paz e eu não te digo nada, nem do tempo que perdi quando ainda sabia voar; deixa-me ficar... mas fica comigo, não vês que só tenho (sempre) lugar para ti, és tudo o que não pode sair do meu peito, até já eu me perdi...?
E eu grito-te aos ouvidos sem que nunca me ouças, peço-te, o tempo todo, que não me deixes cair (não ouves?), eu sei que sou sempre eu mas eu já não sei ser sem ti, pega-me ao colo e ao silêncio que desfio sob o luar mesmo se não o ouvires, beija-me o olhar e seca-me as lágrimas com um toque, sopra para longe as palavras que me são tudo (não quero pensar), é um voo sem querer aquele que faz o meu lamento; tira-me daqui, um dia destes, volto a ser o que sempre quis, leva-me a voar de vez, ou apenas outra vez...
3.12.04
Porém voltas...
Outra folha que rasgo a cada final,
A cada silêncio que largo num caderno
A dor que desfio sozinha é-me igual,
Mas tudo o que trago no peito é eterno
E eu sigo, levando o frio a cada passo,
A mágoa de viver que nunca me solta;
Comigo, só o caminho que traço,
O grito arrastado de outro dia sem volta
E eu choro, baixinho, a cada sol posto...
Como dói cada lágrima que me lava o rosto...
Quem me dera que lavasse também a minha alma...
Mas é tudo igual, sempre dia após dia
E eu tremo, perante a minha agonia
Porém voltas, e contigo um pouco de calma...
A cada silêncio que largo num caderno
A dor que desfio sozinha é-me igual,
Mas tudo o que trago no peito é eterno
E eu sigo, levando o frio a cada passo,
A mágoa de viver que nunca me solta;
Comigo, só o caminho que traço,
O grito arrastado de outro dia sem volta
E eu choro, baixinho, a cada sol posto...
Como dói cada lágrima que me lava o rosto...
Quem me dera que lavasse também a minha alma...
Mas é tudo igual, sempre dia após dia
E eu tremo, perante a minha agonia
Porém voltas, e contigo um pouco de calma...
2.12.04
A beleza das palavras
- Ficam bem os dois juntos - disse a rapariga do bar com o seu ar traquinas.
Olhei para o lado para ver quem era. Não a conhecia.
- É demasiado bonita para mim.
Ela riu-se, depois disse-me:
- A beleza é assim tão importante?
- É sempre,acredita em mim, é sempre...
- É só isso que te atrai numa mulher?
- É. - digo-lhe eu com a minha habitual frieza.
- Lá se vai o mito da beleza interior- diz-me ela desviando o olhar, quase me virando costas.
- Na verdade, a minha mulher ideal tem de conhecer três palavras.
- Ah! ainda há quem tenha ideais... e quais são essas palavras? - pergunta-me ela voltando aos meus olhos.
- Cumplicidade, respeito, construção.
Ela ri-se. Eu continuo:
- É engraçado que são três substantivos femininos, pena é que raramente se apliquem às mulheres.
- Só isso?
- E serem bonitas, como é óbvio. Não precisam de ser tão bonitas como tu.
- Obrigado pelo elogio, mas não acho a beleza assim tão importante.
- As pessoas bonitas nunca acham. Nós queremos sempre aquilo que não temos.
- Essa auto-estima vai muito mal.
- Não tão mal assim...
- Humm... Deixa-me ver... Respeito, cumplicidade e?
- Construção.
- As outras palavras são quase clichés. Explica-me essa!
- Claro que explico. Palavra a palavra, tal qual pedra sobre pedra.
Olhei para o lado para ver quem era. Não a conhecia.
- É demasiado bonita para mim.
Ela riu-se, depois disse-me:
- A beleza é assim tão importante?
- É sempre,acredita em mim, é sempre...
- É só isso que te atrai numa mulher?
- É. - digo-lhe eu com a minha habitual frieza.
- Lá se vai o mito da beleza interior- diz-me ela desviando o olhar, quase me virando costas.
- Na verdade, a minha mulher ideal tem de conhecer três palavras.
- Ah! ainda há quem tenha ideais... e quais são essas palavras? - pergunta-me ela voltando aos meus olhos.
- Cumplicidade, respeito, construção.
Ela ri-se. Eu continuo:
- É engraçado que são três substantivos femininos, pena é que raramente se apliquem às mulheres.
- Só isso?
- E serem bonitas, como é óbvio. Não precisam de ser tão bonitas como tu.
- Obrigado pelo elogio, mas não acho a beleza assim tão importante.
- As pessoas bonitas nunca acham. Nós queremos sempre aquilo que não temos.
- Essa auto-estima vai muito mal.
- Não tão mal assim...
- Humm... Deixa-me ver... Respeito, cumplicidade e?
- Construção.
- As outras palavras são quase clichés. Explica-me essa!
- Claro que explico. Palavra a palavra, tal qual pedra sobre pedra.
1.12.04
quase...
Aqui fica um texto de que gostei muito, mas que infelizmente não sei a quem pertence...
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas oportunidades que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance. Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência. Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixes que a saudade te sufoque, que a rotina te acomode, que o medo te impeça de tentar. Desconfia do destino e acredita em ti. Gasta mais horas realizando do que sonhando, fazendo do que planejando, vivendo do que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo,quem quase vive já morreu.
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas oportunidades que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance. Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência. Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixes que a saudade te sufoque, que a rotina te acomode, que o medo te impeça de tentar. Desconfia do destino e acredita em ti. Gasta mais horas realizando do que sonhando, fazendo do que planejando, vivendo do que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo,quem quase vive já morreu.
A armadilha das palavras
Para sempre é sempre pouco, digo-te. Tu ris.
- És sempre assim?
- O quê? Evasivo?
- O que lhe quiseres chamar...
- Parece que somos iguais.
- Ah! E eu que julgava que eram só os opostos que se atraiam...
- O magnetismo já não é o que era.
- É, dantes era mais evidente.
- Parece que agora as regras do jogo mudaram.
- Os jogos são sempre perigosos, cheios de armadilhas.
- A pior das armadilhas é a palavra...
Tu ris.
- Não sei, olha bem para dentro dos meus olhos.
- És sempre assim?
- O quê? Evasivo?
- O que lhe quiseres chamar...
- Parece que somos iguais.
- Ah! E eu que julgava que eram só os opostos que se atraiam...
- O magnetismo já não é o que era.
- É, dantes era mais evidente.
- Parece que agora as regras do jogo mudaram.
- Os jogos são sempre perigosos, cheios de armadilhas.
- A pior das armadilhas é a palavra...
Tu ris.
- Não sei, olha bem para dentro dos meus olhos.
30.11.04
Só eu vejo, ninguém mais sabe e só eu sinto. Só eu vejo de fora o que é dor, só eu sei. O grito que sempre calei no lugar do meu lamento, a água que cai no vidro sem que mais ninguém a ouça ou dê por ela. Só eu choro.
Desperto ao largo das ruas o instante que me limpa a alma, é como ver a ironia nos teus olhos, há dias em que me dói a tua luz que me é tudo. As palavras custam, é verdade, e se é difícil escondê-las é pior fingi-las, ainda me doem os segredos que enganei em vão, é tudo uma questão de tempo, tudo acaba por voltar para nós.
Eu sei que ando muitas vezes sem saber para onde, sei que grito sem saber a quem; eu, soluço por dentro o tempo todo, sem saber que mão espero que me limpe as lágrimas... Não vês que só a tua luz é o meu sol, que só o teu carinho me abraça a dor, que só tu me deixas no peito o pouco de riso que tenho, sem ti nem eu era possível como sou... Eu morro todos os dias um pouco, todas as noites perco algo de mim. Mas tu existes, e enquanto formos nós eu sei que vai sobrar sempre um pouco de tudo aquilo que te pareço onde me possa agarrar.
Desperto ao largo das ruas o instante que me limpa a alma, é como ver a ironia nos teus olhos, há dias em que me dói a tua luz que me é tudo. As palavras custam, é verdade, e se é difícil escondê-las é pior fingi-las, ainda me doem os segredos que enganei em vão, é tudo uma questão de tempo, tudo acaba por voltar para nós.
Eu sei que ando muitas vezes sem saber para onde, sei que grito sem saber a quem; eu, soluço por dentro o tempo todo, sem saber que mão espero que me limpe as lágrimas... Não vês que só a tua luz é o meu sol, que só o teu carinho me abraça a dor, que só tu me deixas no peito o pouco de riso que tenho, sem ti nem eu era possível como sou... Eu morro todos os dias um pouco, todas as noites perco algo de mim. Mas tu existes, e enquanto formos nós eu sei que vai sobrar sempre um pouco de tudo aquilo que te pareço onde me possa agarrar.
25.11.04
(recomeçar)
(...)
E uma urgência enorme
De nos voltarmos a ter,
E de te ouvir dizeres-me
Tudo o que ficou por dizer
Diz-me palavras meigas,
Como eu sempre quis ouvir,
Fala-me do futuro,
De tudo o que está para vir,
Cega-nos novamente,
Torna a ser o que eu sempre quis,
Diz outra vez que até morres,
Desde que eu seja feliz;
Volta a dizer que me amas,
Que sempre precisaste de mim,
Repete que me adoras,
Que tudo o que não queres é o fim
Fala-me de amor como sempre,
Como antes de o fim chegar;
Começa tudo de novo,
Torna a ensinar-me a amar...
E uma urgência enorme
De nos voltarmos a ter,
E de te ouvir dizeres-me
Tudo o que ficou por dizer
Diz-me palavras meigas,
Como eu sempre quis ouvir,
Fala-me do futuro,
De tudo o que está para vir,
Cega-nos novamente,
Torna a ser o que eu sempre quis,
Diz outra vez que até morres,
Desde que eu seja feliz;
Volta a dizer que me amas,
Que sempre precisaste de mim,
Repete que me adoras,
Que tudo o que não queres é o fim
Fala-me de amor como sempre,
Como antes de o fim chegar;
Começa tudo de novo,
Torna a ensinar-me a amar...
19.11.04
história
Já bati à porta da noite mais triste...
Fui pedir-lhe os sonhos que me canso de ver,
Os pedaços de mim, de onde nunca saíste
Implorei-lhe que assim me ajudasse a viver...
E abri-lhe o meu peito, para que visse
O teu nome ainda solto no meu...
Sempre o que não fui... tudo o que não disse...
(quem me dera um dia voltar a ser eu...)
Já bati à porta da noite mais triste...
Pedi, já cansada, "Tu que me ouviste,
Estende-me a mão e leva-me a voar..."
Mas ela respondeu-me, numa brisa solta
"Lamento, mas o que passou já não volta...
Fica no teu canto e limita-te a sonhar..."
Fui pedir-lhe os sonhos que me canso de ver,
Os pedaços de mim, de onde nunca saíste
Implorei-lhe que assim me ajudasse a viver...
E abri-lhe o meu peito, para que visse
O teu nome ainda solto no meu...
Sempre o que não fui... tudo o que não disse...
(quem me dera um dia voltar a ser eu...)
Já bati à porta da noite mais triste...
Pedi, já cansada, "Tu que me ouviste,
Estende-me a mão e leva-me a voar..."
Mas ela respondeu-me, numa brisa solta
"Lamento, mas o que passou já não volta...
Fica no teu canto e limita-te a sonhar..."
6.11.04
lua
Nem um ruído se nota ao longo da rua...
Um soluço, um abraço... nada no ar...
Um sussurro escondido à beira da lua,
Um lamento arrastado, alguém a passar...
Que força a da noite quando a Lua aparece
e eu lembro... se eu pudesse esquecer...
As ruas encontram-se, como quem tece
Fragmentos daquilo a que chamo anoitecer...
Que só a Lua parece esta noite no céu...
É como se soubesse como é por vezes ser eu,
Como dói a minha alma no final de cada dia...
Também ela brilha quando, na verdade, chora...
Que dor imensa... que triste que é vê-la agora...
Que vontade de a tocar, de lhe pedir que sorria...
Um soluço, um abraço... nada no ar...
Um sussurro escondido à beira da lua,
Um lamento arrastado, alguém a passar...
Que força a da noite quando a Lua aparece
e eu lembro... se eu pudesse esquecer...
As ruas encontram-se, como quem tece
Fragmentos daquilo a que chamo anoitecer...
Que só a Lua parece esta noite no céu...
É como se soubesse como é por vezes ser eu,
Como dói a minha alma no final de cada dia...
Também ela brilha quando, na verdade, chora...
Que dor imensa... que triste que é vê-la agora...
Que vontade de a tocar, de lhe pedir que sorria...
29.10.04
Levem-me daqui os sonhos que perdi num dia igual, passem a mão no meu rosto e sequem as minhas lágrimas. Peguem-me na mão e vejam nos meus olhos o que ninguém vê, ouçam o lamento que arrasto sem intenção. Ninguém o faz.
Quem me dera um pouco de paz, quem me dera a noite de vez. O silêncio do vazio ecoa-me nos ouvidos. A mágoa que quis esquecer entra de novo no meu peito e ninguém conhece a minha dor. Não tenho força, nem as lágrimas que perco no final de cada dia (como dói ser eu...) me lavam a alma (e como dói ninguém saber...).
Beijem-me os dias de vez, abracem-me os gritos que tento soltar em vão. Já não sei voar, não pertenço aqui, não sei que reconforto ainda me prende o coração. Queria gritar a distância entre mim mas a minha voz mantém-se ainda no meio da minha solidão.
Não há ninguém que me responda? Ninguém que me solte de vez as palavras nas horas que sempre quis ouvir... se alguém soubesse.
E eu não sei como vou ter de me manter desperta, o meu pedido de ajuda ainda a ecoar-me no peito...
Levem-me de vez para onde posso ser feliz, deixem-me ser só sem que ninguém me interrompa. Parem o Mundo que eu quero descer...
Quem me dera um pouco de paz, quem me dera a noite de vez. O silêncio do vazio ecoa-me nos ouvidos. A mágoa que quis esquecer entra de novo no meu peito e ninguém conhece a minha dor. Não tenho força, nem as lágrimas que perco no final de cada dia (como dói ser eu...) me lavam a alma (e como dói ninguém saber...).
Beijem-me os dias de vez, abracem-me os gritos que tento soltar em vão. Já não sei voar, não pertenço aqui, não sei que reconforto ainda me prende o coração. Queria gritar a distância entre mim mas a minha voz mantém-se ainda no meio da minha solidão.
Não há ninguém que me responda? Ninguém que me solte de vez as palavras nas horas que sempre quis ouvir... se alguém soubesse.
E eu não sei como vou ter de me manter desperta, o meu pedido de ajuda ainda a ecoar-me no peito...
Levem-me de vez para onde posso ser feliz, deixem-me ser só sem que ninguém me interrompa. Parem o Mundo que eu quero descer...
26.10.04
Os teus dias
Quando te conheci o sol ainda era este de todos os dias. No dia seguinte, no dia seguinte a ter-te conhecido, o sol era o mesmo. E já não era. Sobrevoava as noites que pareciam sempre as mesmas, e depois... depois já não eram. E era a música que sempre tocava no meu leitor, a música que, por acaso, ouvimos inteira à porta de tua casa. No dia seguinte, nessa manhã de Primavera mas de chuva, a música que era a mesma, também já não era. E foi assim com muitas coisas, durante muitos mais dias com muitas outras coisas. É, de repente, já nada era o mesmo. Já não era só a Primavera que se tinha transformado em Verão. Eras tu, sim tu, já nem tu eras a mesma. Primeiro bonita por fora, com olhos verdes infinitos como o meu mar à porta de casa. E depois, tão rapidamente, vindo de uma discussão por tão pouco, uma discussão por nada, por qualquer coisa tão insignificante como a tua beleza. Já não eras tu. Parecia que te tinhas virado do avesso, que o teu interior se tinha revolvido e saído para fora a meio de uma qualquer palavra insignificante como já não te dizer que te amo. De repente, sim tão rapidamente como uma folha madura cai de uma árvore, já era um Outono repleto de uma nostalgia que embalava os dias que continuavam todos na mesma, todos tão iguais.
25.10.04
Agarra a minha mão sem vermos o que fica para trás, abraça-me os dias em que me dói a saudade de mim. Anseio a tua voz, o olhar que diriges ao céu para onde queres voar, a tua pele cujo toque ainda me arde no peito. Eu não me esqueci de ti. Não me esqueci de ti, e se hoje me perco ainda à volta dos restos de nós é pela agonia que ainda me convém no final de cada dia, de cada ontem que ainda me marca o peito. Todos os dias me sobrevivo e às noites que me fazem morrer, a todas as horas cada lágrima guardada que me escorre pela alma se esconde do recomeço que adivinha. "És tão bonita por dentro", disseste tu, e não sabes que as tuas palavras são para mim a prece a seguir?, se eu ao menos soubesse porque mais ninguém as ouve...
Só tu, sempre tu, por isso peço-te mais uma vez, leva-me a voar contigo que ainda o fazes, pega-me na alma e não me deixes cair, canta-me os dias ao ouvido como eles podiam ser; não sabes nada mas podes ensinar-me tanto, não percebes a dor com que me acabo mas a tua luz serve por qualquer hora que me possas dar.
Só tu, sempre tu, por isso peço-te mais uma vez, leva-me a voar contigo que ainda o fazes, pega-me na alma e não me deixes cair, canta-me os dias ao ouvido como eles podiam ser; não sabes nada mas podes ensinar-me tanto, não percebes a dor com que me acabo mas a tua luz serve por qualquer hora que me possas dar.
Os lábios
Eras tu que me guiavas pelo estreito e sinuoso mapa do teu corpo. Os lábios de algodão mordiscavam ordens que eu a gosto cumpria. Ferias-me a alma com a cor verde dos teus olhos. Não era o quanto eu te amava que questionavas, era o amor que ainda viria que nos fazia sofrer. O amor que viria embrulhado no coração da alma, o amor que fariámos aproveitando a ternura dos nossos corpo entrelaçados. Tudo podia acontecer naquele momento. Os teus olhos verdes e cristalinos como uma paisagem grandiosa que eu tentava perceber, os meus olhos persseguiam a tua mente pelo canal aberto na iris escura, expandida na aurora de um dia frio de sol. E quanto mais perto dos teus olhos, quanto mais perto da tua vida, quase tão perto do teu verdadeiro ser, quanto mais perto estava de te sentir, mais sentia o teu corpo esfriar. E se não era o teu corpo que esfriava, era o frio que se instalava entre os lençois, entre os nossos corpos que se afastavam. Tudo tão subtil como o prazer fugaz do teus lábios mordiscados em dor. Estivemos pertos do amor, digo-te eu, e não foram os nossos corpos que fugiram. Ficou tudo no silêncio dos teus lábios de algodão.
22.10.04
Os olhos
Os olhos? Os olhos têm pedrinhas lá dentro... Sáfiras brilhantes. São pequenos pedaços de magia quando brilham nas primeiras gotas da aurora. Choveu durante a noite, dizes tu com o desencanto de um sentir que ecoa nas paredes que preferimos desertas. O dia é como os outros dias em que o sol nos compromete, a chuva debita de mansinho uma melodia no vidro. Desenha quadros do Pollock que são efémeros e prateados, uma filigrana de mar que serpenteia em unissono com a minha preguiça. Tu abraças-me com os dedos, e vemos um filme escondido no silêncio perdido do olhar que se prolonga até a pele doer. O teu corpo é quente e frio o dia que nasce, frios os passos apressados das pessoas que se desviam da chuva que nos abrilhanta a manhã com um espectáculo na nossa janela. Não dizemos uma palavra, comemos os vocábulos nos beijos e as bocas saciadas são um jardim de flores murchas. Não sei se é do sono de uma noite incompleta de descanso, ou dos teus olhos... os teus olhos de sáfiras brilhantes não são para estes dias.
21.10.04
Não quero perder um só momento mas esquecer seria tudo o que preciso, não quero a ausência de ti mas ser só é sempre tudo o que me resta, não quero percorrer mais olhares para em meu redor só ter o teu.
Hoje volta o silêncio à minha noite, regressa o lamento espalhado por tudo o que é pétalas de nós. Restos de mim. Quase me tocam as memórias do que já não vejo, o que quase me perturba roça-me a pele, se ao menos eu ainda pudesse voar e as horas não fossem tão reles (se o vazio é tudo o que me enche...).
Eu quero o teu toque, quero a tua voz de luz do dia, quero a monotonia das noites, a minha luz, a tua luz tão comum como eu não sou.
Quero tapar os meus dias com os contornos da tua face, com os jeitos do teu sorriso. Com qualquer coisa que me devolva o eu que sempre quis ter a rotina de ser - quero ser contigo.
Hoje, porém, volta o silêncio à minha noite, e eu não ouso gritar alto o suficiente para te ouvir.
Hoje volta o silêncio à minha noite, regressa o lamento espalhado por tudo o que é pétalas de nós. Restos de mim. Quase me tocam as memórias do que já não vejo, o que quase me perturba roça-me a pele, se ao menos eu ainda pudesse voar e as horas não fossem tão reles (se o vazio é tudo o que me enche...).
Eu quero o teu toque, quero a tua voz de luz do dia, quero a monotonia das noites, a minha luz, a tua luz tão comum como eu não sou.
Quero tapar os meus dias com os contornos da tua face, com os jeitos do teu sorriso. Com qualquer coisa que me devolva o eu que sempre quis ter a rotina de ser - quero ser contigo.
Hoje, porém, volta o silêncio à minha noite, e eu não ouso gritar alto o suficiente para te ouvir.
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